Desde 18 de agosto, um grupo anônimo que se identifica como CYBERLEEK vem publicando vídeos de gameplay do Grand Theft Auto VI. Não são renders nem material de trailer: em pelo menos um dos clipes, quem está no controle atira contra uma parede e escreve a palavra LEEK com os buracos de bala — o tipo de coisa que só é possível com o jogo rodando de verdade.
Nesta manhã de 22 de agosto, o site e o canal no Telegram do grupo ficaram inacessíveis, e o Telegram passou a exibir aviso de violação de direitos autorais. É o desfecho provisório de uma semana que misturou vazamento, manifesto anticonsumo, criptomoeda e intimações judiciais.
O que foi publicado
O primeiro lote saiu em 18 de agosto: dois clipes de cerca de um minuto e uma série de imagens, entre elas o que seria o mapa completo de Leonida. Os vídeos mostram Jason Duval, um dos dois protagonistas, ao lado de Lucia Caminos.
Nos dias seguintes vieram mais seis. Segundo os levantamentos do Insider Gaming e do Know Your Meme, o material exibiu:
- o mapa de Leonida dividido em cinco condados
- um sistema de honra com indicador facial, e uma barra de estamina
- procurado de seis estrelas, com a polícia identificando roupa, aparência e veículo
- armas guardadas no veículo em vez de carregadas todas ao mesmo tempo
- combustível e dano nos carros, exigindo abastecer e consertar
- diálogo contextual com NPCs, com opções como acalmar ou avisar

O sétimo vídeo, de 20 de agosto, mostrou uma sequência de avião e foi liberado por votação — detalhe ao qual voltaremos. O oitavo, de 21 de agosto, trouxe um hipercarro.
De quando é essa build?
Aqui as fontes divergem, e vale registrar a divergência em vez de escolher uma. O Insider Gaming afirma que a filmagem viria de uma build mais antiga, possivelmente de 2024 ou anterior. O Game Rant aponta na direção oposta: uma música da Tate McRae lançada em janeiro de 2025 aparece em um dos clipes, o que colocaria a build depois dessa data.
O consenso é que o grupo tem acesso a uma build jogável, e não a um punhado de arquivos soltos. É isso que separa este caso de um vazamento comum.
O manifesto
O grupo publicou um texto que chamou de The CYBERLEEK Edict, com três exigências: o fim das pré-vendas digitais, a proibição de DLC pago para o modo single-player, e a garantia de que jogos de campanha continuem funcionando offline.
A cada ano o anticonsumismo aperta o cerco, e a cada ano os jogadores recebem menos pelo que pagam.
Sobre pré-venda, o texto argumenta que a prática nasceu de uma limitação industrial e não de um benefício ao jogador: pré-vendas existiam porque a prensagem de discos tinha limite de fabricação. Se as publicadoras querem receita antes do lançamento, diz o manifesto, que prensem discos e coloquem caixas nas prateleiras.
O grupo afirmou que não pararia até a Rockstar publicar um pedido de desculpas com um compromisso concreto de melhorar. O texto cita o caso de The Crew, da Ubisoft, que exigia conexão constante e ficou injogável quando os servidores foram desligados.
E aí entra a criptomoeda
É neste ponto que a versão do protesto começa a rachar. Junto com os vazamentos, o grupo promove uma memecoin própria, a $CYBERLEEK, na rede Solana. Segundo a Dexerto, o token começou a ser negociado em 15 de agosto — antes de o vazamento viralizar — e movimentou cerca de US$ 11,8 milhões só no dia 18.
O sétimo vídeo não foi escolhido ao acaso: quem tinha o token votava, em um servidor privado no Discord, em qual clipe seria publicado a seguir. A enquete durou cerca de catorze horas, e as opções incluíam direção diurna, noturna, uma sequência de moto e uma de avião.

A campanha Stop Killing Games, citada pelo próprio manifesto como causa irmã, repudiou publicamente a associação:
O motivo de ele estar vazando o GTA 6 é a memecoin dele. Isso é tudo, menos útil.
Cuidado com os perfis falsos
Se você for atrás do caso nas redes, esta parte importa. O grupo publicou um aviso no Telegram dizendo que existem impostores se passando por eles no X, no Discord e no próprio Telegram, e que operavam apenas o site oficial e o canal no Telegram.
As marcas d’água dos vídeos chegaram a trazer a frase de que o CYBERLEEK não tem Twitter. O site GameRoll analisou um perfil que se apresentava como o grupo, encontrou imagens geradas por IA publicadas como se fossem filmagem nova, e concluiu que a conta era provavelmente falsa.
Ou seja: boa parte do que circula no X assinado como CYBERLEEK não é do CYBERLEEK.
A reação da comunidade
O público se dividiu em três campos razoavelmente claros. Há quem tenha comemorado — depois de anos de espera e adiamentos, é a primeira filmagem extensa de gameplay a aparecer. Há quem tenha pedido que ninguém amplifique o material, com medo de que a história do jogo comece a ser estragada; a presença de trechos de cutscene entre os vazamentos alimentou exatamente esse receio. E há quem tenha aproveitado para descontar na Rockstar, argumentando que a empresa mereceu.
Do lado dos criadores, o streamer xQc foi um dos mais duros:
Não faz bem para ninguém. Até quem compra o jogo não quer ver vazamento. As pessoas querem jogar o jogo. Se você faz isso, você não é um gamer de verdade.
Segundo o GTA BOOM, vários streamers grandes preferiram não tocar no assunto ao vivo, com receio da resposta jurídica da Rockstar.
Nem toda a reação foi de empolgação com o jogo em si. A Forbes registrou reclamações sobre movimentação travada nos clipes e desconforto com mecânicas como combustível nos veículos e uma moeda interna, que renderam comparações com o sistema de Robux do Roblox.
A resposta da Rockstar e da Take-Two
Publicamente, silêncio. Nem a Rockstar nem a Take-Two emitiram comunicado oficial sobre o caso.
Internamente, a história é outra. O jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, relatou que a direção da Rockstar classificou a busca pela origem do vazamento como prioridade total, e que a equipe está frustrada e exausta — em parte porque a empresa já havia endurecido as regras de segurança depois do vazamento de 2022, chegando a acabar com o trabalho remoto durante fases intensas de desenvolvimento.
No campo jurídico, a Take-Two entrou com intimações no tribunal federal do Distrito Sul de Nova York, em 20 de agosto, mirando Microsoft e Discord. O pedido busca e-mails de cadastro, endereços de IP, identificadores de dispositivo e registros ligados a um repositório no GitHub que hospedava o material; as empresas teriam até 4 de setembro para responder. Em paralelo, a Rockstar vem derrubando os vídeos por notificação de direitos autorais, especialmente no YouTube.
Existe precedente, e ele não é ameno: Arion Kurtaj, do grupo Lapsus$, foi processado criminalmente pelo vazamento de noventa clipes do GTA VI em 2022.
O que ainda não se sabe
- quem é o CYBERLEEK — o grupo segue anônimo
- como a build foi obtida
- se o material já offline volta por outro canal
- se houve novos vazamentos depois da derrubada
O calendário oficial, por enquanto, não mudou. O GTA VI continua marcado para 19 de novembro de 2026, e a Rockstar mantém um Extended Look pela Netflix previsto para 27 de agosto — cinco dias depois de o site do grupo sair do ar.

Uma nota sobre este post
Não há aqui nenhum frame do material vazado, nem link para o site, o Telegram ou os arquivos do grupo. As imagens são material de divulgação da Rockstar; em duas delas, o mascote do grupo aparece sobreposto por terceiros. O conteúdo é propriedade da Rockstar e está sob notificação ativa de direitos autorais; republicá-lo mudaria a natureza deste texto de notícia para redistribuição. As citações são reproduzidas para comentário, com fonte e link logo abaixo.
